Leu histórias já contadas pelas linhas de seu rosto.
Reafirmou-as. Uma vida, nua, numa pele.
Desejou retocar alegrias tatuadas.
Borrou, tentando apagar, a lembrança fantasiada
por base craquelada.
Tom de pele; Cor de verdade.
Escura; Cor de rua.
Os dentes?
Já não pareciam tão firmes quanto a fome dos caninos.
O vermelho?
Decretava peito na carne árida dos lábios.
Conta histórias, cantando poesia.
Descasca versos, apontando:
nulas verdades,
vívidas mentiras.
Tão cega,
apenas enxerga o que sentir
(teme ter medo de viver)
treme
ao se ver
ao se ter,
treme.

L.L.

 

Foto: autor desconhecido

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para revista wow magCaptura de tela 2015-10-28 19.55.42

descobri que o sábado me assusta
o dia amanhece mais abarrotado de possibilidades

será que a multiplicidade de chances poda meu peito?
sinto minhas entranhas estranhas

mudo a ordem dos ossos,
encaro o ócio,
mimo meu pisar com a leveza que ela me dá;
sim, sou mais firme por tuas mãos

cada nova curva do meu corpo
é um novo dia de história
muitas vezes fria, mas sempre ninada pelo
pelo brilhante
que só existe por causa do peito quente
latente em sentidos

olho a luz e me lembro do dia
assumo meu espaço na terra
tão-própria

piso e afirmo: “todas as possibilidades são verdadeiras”
piso e afirmo:
a verdade de minha felicidade é real, pois é compartilhada

apago e me reescrevo
encaro o sábado do meu peito
que muitas vezes chega atrasado.
Hoje mesmo.

e por que o atraso?
foi o tempo.

mas em mim,
hoje é sábado

L.L.

Foto: Lua Leça

Modelo: Lôua Unger